Bem-vindos amantes do Jazz

quarta-feira, 31 de março de 2010

Elevation - Pharoah Sanders


E pra começar os trabalhos, nada melhor que uma recomendação!
Então, por esses dias, tenho ouvido jazz pra viajar. Se você também tem essa intenção, eis que lhe indicarei um álbum para alcançar este nobre objetivo!

O álbum é do Pharoah Sanders. Pra quem não conhece, o cara tocou com o Trane, Sun Ra, Don Cherry e é um dos expoentes do Free Jazz. Só pra dar uma noção da magnitude do velho, segundo o também foda Albert Tyler, "Trane era o Pai, Pharoah era o Filho, eu sou o Espírito Santo".

Só por aí já dá pra ver o nível do nosso camaradinha Pharoah..


então, o nome do álbum é "Elevation". Muita gente não acha esse álbum tanta coisa assim, mas sinceramente, pra mim é um dos melhores do Pharoah, se vc quer viajar, esse é o álbum pra vc. A faixa mais importante, pelo menos pra mim, com certeza é a faixa título com duração de quase 18 minutos. O tema principal dessa música é com certeza um dos mais bonitos que eu já ouvi num álbum de jazz, é simplesmente uma progressão perfeita, que aliada a percussão, aos sinos e tudo mais, dá um tom tão sereno à composição que você nem imagina que isso vai virar um "free" à la Pharoah. No começo, o sax é bem controlado e comportado, acompanhando de forma muito interessante o tema principal e algumas variações dele, mas lá pros 5 minutos quando você pensa "Nossa, essa música é do Pharoah mesmo?", o velho solta seus famosos "gritos" no sax, acompanhado pela banda numa tempestade de notas e dissonâncias cuidadosamente calculadas, que pra mim pelo menos, parecem uma "queda" na "elevação". Depois desse momento de caos, a música volta à sua forma original. Com um grande solo de baixo por Calvin Hill a coisa se acalma e se conclui com o mesmo (fodiiiiiisssimo) tema do início. É nesse momento que vc infelizmente percebe o fim da sua viagem de 18 minutos. Mas sem problema, é só ouvir o resto do álbum pra ter mais uma meia hora de viagem =)


"Elevation"-1973

1-Elevation > (17:48)
2-Greeting To Saud (Brother McCoy Tyner) > (4:03)
3-Ora-Se-Rere > (5:29)
4-The Gathering > (13:39)
5-Spiritual Blessing > (5:32)



Jazz-Definição

   Para começar esse blog sobre Jazz nada melhor que tentar definí-lo. Pois é, esse é o problema, muita gente diz que é impossível definir o que é o Jazz. E realmente não é nada fácil... mas aqui vai a minha tentativa:
   O gênero musical hoje conhecido como Jazz teve várias "faces" durante sua história (talvez por isso seja tão difícil definí-lo). O Jazz surgiu a partir da mistura do Folk Estadunidense (tocado/cantado em geral por brancos), das WorkSongs (músicas cantadas por escravos e trabalhadores livres, na maioria negros, estadunidenses na lavoura), da Música Clássica Europeia e das tradições africanas.
   Essa fusão aconteceu no final do séc. XIX no sul dos Estados Unidos, em uma época de franca ascendência estadunidense mas em uma área coadjuvante no cenário econômico de seu país.
   Musicalmente, o que define o Jazz é:
- Seu ritmo quaternário muitas vezes sincopado (o "swingue" para os músicos de Jazz);
- As harmonias características do Blues, utilisando as chamadas blue notes, a quinta diminuta e as terceira e sétima bemois;
- Seu arranjo flexível, que permite os mais variados tipos de inprovisações.
   Historicamente, como já comentado, o Jazz teve diferentes formas e finalidades. No início, era apenas uma música  alegre, lembrando temas circences. Mais tarde passou a ser visto como um gênero dançante, muito presente em festas. A partir dos anos 40 o Jazz começou a entrar em um ambiente mais cool em uma de suas vertentes, tornando-se uma música mais tranquila e reflexiva. Na outra vertente, o Jazz tornou-se agressivo, caótico. Com o estabelecimento do Free Jazz o gênero ganhou tal liberdade que passou a ser visto como dançante, sereno, elétrico, psicodélico ou erudito.
   O Jazz é adimirado por sua vitalidade e espontaneidade de seus músicos , seu swingue e pela individualidade de cada artista. O Jazz é além de tudo uma forma de fazer Arte "com 'A' maiúsculo".
                                                                                                               Por F.Rönnow.